Unilever sob o olhar da Mia: Vale a pena investir pelo dividendo de 3,75%?


Unilever sob o olhar da Mia: Vale a pena investir pelo dividendo de 3,75%?

​Se abrir a sua despensa ou olhar para os produtos na sua casa de banho, há uma probabilidade gigantesca de encontrar a Unilever. Dona de marcas icónicas como Dove, Knorr, Hellmann’s, Omo, Skip e dos gelados Olá (Kibon), esta multinacional é um verdadeiro colosso global presente no dia a dia de milhares de milhões de pessoas.


​Mas será que uma empresa que está tão presente nas nossas rotinas também deve estar na nossa carteira de investimentos? Hoje, vamos analisar a Unilever (listada na Euronext Amesterdão sob o ticker UNA.AS) sob a perspetiva que muitos investidores adoram: a procura por dividendos e renda passiva.

​O Raio-X Financeiro: Estabilidade que impressiona

​Quando olhamos para os números da Unilever dos últimos anos (2019-2024), há uma palavra que define o seu comportamento: consistência.

  • Faturação Sólida: A empresa fechou o último ano com uma receita robusta de 60,8 mil milhões de euros e um lucro líquido de 5,74 mil milhões de euros.
  • Margem de Lucro Eficiente: Com uma margem líquida de 9,45%, a Unilever prova ser uma empresa altamente lucrativa. No setor de bens de consumo, isto é um excelente sinal. Significa que, mesmo enfrentando a inflação e o aumento dos custos de produção, a força das suas marcas permite-lhe ajustar os preços sem perder rentabilidade.  

O Prato Forte: O Fluxo de Dividendos

​Para quem investe a pensar no futuro e gosta de ver dinheiro a cair regularmente na conta da corretora, a Unilever é historicamente um porto seguro.

​Atualmente, a empresa apresenta um Dividend Yield (Rendimento) de 3,75% ao ano em euros. Trata-se de um retorno bastante atrativo, superando com facilidade a esmagadora maioria dos depósitos a prazo tradicionais.

​Além disso, a Unilever destaca-se pela sua regularidade trimestral, distribuindo pagamentos de forma consistente ao longo do ano (frequentemente rondando os 0,46€ a 0,52€ por ação a cada trimestre). É o combustível perfeito para alimentar o famoso "efeito bola de neve", onde reinveste os dividendos para comprar mais ações.

​O Outro Lado da Moeda: A "Gigante Lenta"

​Nem tudo são rosas, e o investidor focado em crescimento precisa de estar ciente do calcanhar de Aquiles da empresa. A cotação atual da ação ronda os 49,62 €, o que representa uma queda de 11,39% no acumulado do último ano.

​Se expandirmos o horizonte temporal, o cenário repete-se:

  • Crescimento a 3 anos: -1,41%
  • Crescimento a 5 anos: -0,80%
  • Crescimento a 10 anos: +2,41%

O que é que isto nos diz? A Unilever tem tido sérias dificuldades em aumentar o volume físico de produtos vendidos. O seu crescimento financeiro recente tem dependido quase exclusivamente do aumento de preços. Por isso, quem comprou a ação há 5 anos viu o valor do capital estagnar, dependendo apenas do retorno dos dividendos para ficar no verde.

​Veredicto da Mia: Para quem serve a Unilever?

  • Sim, se o seu perfil é Conservador / Focado em Renda Passiva: Se procura estabilidade, previsibilidade e quer construir um fluxo constante de dividendos com uma empresa que não vai desaparecer amanhã, a Unilever (especialmente quando negoceia perto dos mínimos do ano) é uma opção psicologicamente muito confortável.
  • Não, se procura Multiplicação de Capital: Se o seu objetivo é ver o valor das suas ações duplicar ou triplicar a curto/médio prazo através de inovação ou expansão agressiva, esta não é a escolha certa. A Unilever é uma "gigante lenta".

​E você? Prefere a estabilidade dos dividendos ou a adrenalina das ações de crescimento?

​⚠️ Nota da Mia: As análises apresentadas nesta secção refletem exclusivamente a minha opinião editorial e têm caráter puramente informativo e educativo. Não constituem, de forma alguma, uma recomendação, conselho de investimento ou uma oferta de compra e venda de ações. Cada investidor deve realizar a sua própria pesquisa e avaliar o seu perfil de risco antes de tomar decisões financeiras.

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