Queixas contra o setor de energia disparam em Portugal: Galp lidera


Queixas contra o setor de energia disparam em Portugal: Galp lidera insatisfação

​O setor de energia em Portugal está sob forte pressão dos consumidores. Nos primeiros três meses deste ano, o número de reclamações disparou 85% em comparação com o mesmo período do ano passado. No total, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) registou 9.584 reclamações, o que representa também uma subida de 80% face ao trimestre anterior.

​O grande motor deste descontentamento foi a faturação, com os clientes da Galp (através da comercializadora Petrogal) a liderarem as queixas.

​Os principais motivos de queixa

​A esmagadora maioria das reclamações concentra-se no setor elétrico, que representa 71,2% do total de queixas, seguido pelo fornecimento dual (eletricidade e gás combinados), com 13,6%.

​Quatro temas concentram mais de dois terços de todas as reclamações (66,5%):

  • Faturação (atrasos e valores errados)
  • Interrupção do fornecimento (falhas de luz)
  • Qualidade de serviço técnica
  • Contrato de fornecimento

​A ERSE detalha que o aumento das queixas por falhas na luz e qualidade técnica foi muito influenciado pelo inverno rigoroso e pelos estragos provocados pela tempestade Kristin no início do ano.

​O pesadelo das faturas acumuladas na Galp

​O tema da faturação ganhou um peso enorme este trimestre, subindo 10 pontos percentuais face aos meses anteriores. A culpa é, essencialmente, dos problemas registados com a Petrogal, do grupo Galp.

​Desde o final do ano passado que milhares de clientes relatam atrasos crónicos na emissão das faturas de eletricidade e gás. O resultado? Os consumidores ficam meses sem receber faturas e, depois, são confrontados com contas acumuladas de valores astronómicos para pagar de uma só vez.

​Embora a Galp tenha garantido em março que a situação estava resolvida, o regulador confirma que o problema persistiu ao longo de todo o primeiro trimestre.

​Regulador inundado com pedidos de ajuda

​Com o aumento dos conflitos, os pedidos de intervenção direta à ERSE aumentaram 75% face ao trimestre anterior, num total de 2.250 pedidos. Se compararmos com o mesmo período de 2025, o salto é ainda maior: 99%.

​A boa notícia para o consumidor é que vale a pena reclamar. Nos casos em que a ERSE foi chamada a intervir:

  • 40% dos consumidores viram as suas pretensões total ou parcialmente satisfeitas.
  • 35% obtiveram todos os esclarecimentos e informações necessárias para resolver o problema.

​Como a intervenção do regulador acontece numa segunda fase (após a resposta inicial da empresa), é muito provável que o número de processos continue a aumentar no próximo trimestre.

​O Veredito da Mia

​Este forte aumento nas reclamações expõe a fragilidade operacional das grandes fornecedoras quando decidem migrar ou atualizar os seus sistemas de faturação. Para os investidores e para o mercado, a incapacidade da Galp em emitir faturas a tempo não é apenas um problema de imagem ou de relações públicas; afeta diretamente o fluxo de caixa (cash flow) da empresa e gera custos administrativos extraordinários para gerir a crise e os planos de pagamento faseados. A longo prazo, empresas que falham no básico — que é cobrar corretamente o cliente — abrem a porta à perda de quota de mercado para concorrentes digitais mais ágeis.

​Opção Billion

​O que está a acontecer com a Galp e com o setor energético em Portugal comprova a nossa tese: o futuro dos serviços públicos e dos investimentos reside na transição urgente para sistemas baseados em inteligência de dados e infraestruturas tecnológicas modernas. O modelo tradicional de faturação e leitura está obsoleto. As empresas que utilizarem redes inteligentes (smart grids), leituras automatizadas em tempo real e análise preditiva de dados para antecipar falhas na rede não só vão erradicar estes erros de faturação, como vão oferecer uma previsibilidade financeira crucial para o investidor e uma experiência justa para o consumidor.

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