​O Tradicional Ainda Manda: Portugueses Preferem TV e Rádio Analógicas ao Digital

O Tradicional Ainda Manda: Portugueses Preferem TV e Rádio Analógicas ao Digital

​A transição para o ecossistema digital parece inevitável, mas os meios tradicionais em Portugal continuam a demonstrar uma resiliência impressionante. De acordo com o mais recente relatório Screen Scope, desenvolvido pela Publicis Groupe, a maioria esmagadora dos acessos a canais de televisão e estações de rádio em território nacional ainda é feita através de formatos analógicos e tradicionais, superando o consumo em plataformas digitais.

​Os Números do Consumo de Media

​O estudo aponta uma divisão clara no comportamento dos telespetadores e ouvintes portugueses:

  • Televisão: Os acessos analógicos e tradicionais dominam com 76% do total, enquanto os acessos digitais representam apenas 55% (com muitos utilizadores a cruzar os dois formatos).
  • Rádio: O consumo tradicional garante 51% da quota, deixando o meio digital com 36%.
  • Imprensa: Este é o único setor onde a realidade se inverteu por completo. A procura por informação em plataformas digitais disparou para 51%, ao passo que o consumo de jornais e revistas físicas não passa dos 15%.

​Lideranças no Ecrã e o Hábito Diário

​Durante o mês de abril, o tempo médio que os portugueses passaram a ver televisão fixou-se em três horas e 25 minutos por dia. Este valor representa uma ligeira quebra de 14 minutos em comparação com o mês anterior.

​No campeonato das audiências em sinal aberto — os canais gratuitos que chegam a 56% dos telespetadores —, a TVI manteve a liderança no share de mercado e destacou-se no volume de publicidade, registando uma ocupação de 101% do seu espaço comercial entre as 7h e as 24h.

​No segmento da televisão paga, que alcança 62% do público, a liderança pertence à CMTV. Vale notar que a forma como consumimos estes canais pagos mudou: 70% dos telespetadores preferem a gravação automática (o chamado visionamento posterior) para ver programas fora do horário original, e 67% utilizam um segundo ecrã (como o telemóvel) enquanto a televisão está ligada.

​O Domínio do Streaming e das Redes Sociais

​Quando o assunto é a internet, o smartphone é o rei indiscutível: 97% dos portugueses utilizam o telemóvel para aceder a conteúdos online, longe dos 78% que usam o portátil e dos escassos 27% que navegam através de tablets.

​No mercado do streaming de vídeo, a Netflix mantém-se isolada no topo com um alcance diário de 27%. A concorrência direta fica bastante atrás:

  • Prime Video: 9%
  • Disney+: 8%
  • HBO Max: 6%
  • Twitch: 4%

​Nas redes sociais, onde o utilizador comum passa em média uma hora e 29 minutos por dia, o Instagram assumiu o papel de plataforma mais forte, sendo a origem de 65% dos acessos, seguido pelo Facebook com 54% e pelo TikTok com 29%. O LinkedIn (13%), o X (12%) e o Pinterest (11%) fecham a lista das plataformas mais utilizadas.

​O Veredito da Mia

​Estes dados revelam uma assimetria profunda que os investidores e criadores de marcas não podem ignorar. Embora a imprensa tenha migrado com sucesso para o ambiente digital, a infraestrutura e o hábito de consumo de televisão e rádio em Portugal continuam fortemente ancorados nos canais tradicionais. Para quem investe no mercado de publicidade e distribuição de conteúdos, este cenário exige uma estratégia híbrida: o alcance de massa imediato ainda depende do ecossistema analógico e da televisão linear, mas o crescimento marginal e o envolvimento direto da audiência jovem estão concentrados no streaming e nas redes visuais como o Instagram.

​Opção Billion

​O apego do consumidor tradicional aos formatos antigos é apenas uma fase de transição lenta, e não um retrocesso. A verdadeira oportunidade de investimento está na tecnologia que corre nos bastidores. O facto de 70% dos utilizadores de TV paga consumirem conteúdos gravados e mais de 60% usarem um segundo ecrã em simultâneo prova que o público quer controlo e dados sob demanda. O futuro pertence às plataformas que conseguirem cruzar a publicidade direcionada com os dados de navegação em tempo real. Quem dominar a tecnologia de análise de comportamento nestes múltiplos ecrãs ditará as regras do mercado financeiro e publicitário nos próximos anos

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