Navigator Exige Mudanças na Lei do Eucalipto: Bloqueio ou Oportunidade?



Navigator Exige Mudanças na Lei do Eucalipto: Bloqueio ou Oportunidade?

​A Navigator, uma das maiores gigantes do setor de papel e celulose em Portugal, veio a público defender uma revisão urgente na atual lei do eucalipto. Durante a conferência "Incêndios Florestais: O Fogo Está A Mudar -- E Nós?", em Figueira da Foz, o administrador executivo da empresa, João Lé, criticou o atual modelo regulatório. Segundo o gestor, as regras vigentes asfixiam o setor com um caráter puramente "proibitivo e punitivo", quando deveriam funcionar como um motor de atração de investimento.

​A legislação atual foi profundamente alterada após a tragédia dos grandes incêndios de 2017. Na prática, a lei passou a proibir a plantação de novas áreas de eucalipto. A única exceção real é a rearborização, ou seja, plantar apenas onde já existiam florestas puras ou maioritariamente dominadas por essa espécie. Para a Navigator, este cenário de restrições rígidas acaba por empurrar os proprietários para o abandono das terras.


​Os Três Pilares para Salvar a Floresta Portuguesa

​Para inverter este ciclo de abandono e mitigar o risco de incêndios, a liderança da Navigator apresentou três prioridades estratégicas:

  • Ganhar escala na propriedade rústica: O minifúndio (terrenos muito pequenos e divididos) impede uma gestão rentável e eficiente.
  • Aumentar a gestão ativa: Incentivar os proprietários a limpar e tratar as terras de forma contínua, apostando forte na prevenção.
  • Criar um corpo nacional de sapadores: Uma estrutura de profissionais dedicados exclusivamente ao combate e à prevenção de fogos.

​A empresa argumenta que gerir o território de forma profissional, criando mosaicos que misturem espécies nativas (autóctones) com florestas de rendimento, é a única forma de criar defesas reais contra os grandes incêndios.

​O presidente da Câmara da Figueira da Foz, Pedro Santana Lopes, também marcou presença e deixou duras críticas à burocracia atual. O autarca classificou as regras que definem os prazos para os proprietários limparem os terrenos como "absolutamente obsoletas". Santana Lopes revelou ainda que as equipas municipais avançam frequentemente para a limpeza de terrenos privados em risco extremo, mesmo sem conseguir contactar os donos, muitos deles emigrados.

​O Veredito da Mia

​A posição da Navigator expõe uma tensão clássica entre a sustentabilidade ecológica imediata e a viabilidade económica de longo prazo. O eucalipto é uma espécie altamente rentável para a indústria do papel, mas carrega um histórico pesado no debate sobre a propagação de incêndios e o consumo de recursos hídricos.

​Olhando para o mercado financeiro e de capitais no longo prazo, a manutenção de um modelo puramente proibitivo pode penalizar severamente as exportações nacionais e desincentivar a inovação no setor florestal. No entanto, a flexibilização das regras só trará valor real se for acompanhada por uma fiscalização rigorosa e profissionalizada. Empresas que não consigam integrar as suas áreas de produção num ecossistema gerido de forma sustentável enfrentarão, mais cedo ou mais tarde, uma forte penalização por parte dos investidores focados em critérios ambientais.

​Opção Billion

​O impasse na gestão da floresta portuguesa demonstra que o modelo tradicional de decretos e proibições em papel esgotou o seu potencial. O futuro do investimento florestal e da proteção do território depende, obrigatoriamente, da tecnologia e do cruzamento de dados.

​A verdadeira reforma não passa apenas por permitir ou proibir a plantação de determinada espécie, mas sim por digitalizar o cadastro da propriedade rústica e aplicar inteligência preditiva. Através de sensores IoT, mapeamento por satélite e análise de dados em tempo real, torna-se possível monitorizar a acumulação de biomassa e antecipar zonas de risco de incêndio. A floresta portuguesa precisa de deixar de ser gerada à base do palpite para passar a ser gerada com base em métricas exatas e tecnologia de pontna. Só assim garantiremos a segurança do território e o retorno financeiro dos investidores.

                      Mia

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