Jerónimo Martins: Lucros descem mas vendas continuam a acelerar


Jerónimo Martins: Lucros descem mas vendas continuam a acelerar

​A Jerónimo Martins acaba de abrir o jogo sobre as contas do primeiro trimestre de 2026 e o cenário é de contraste: por um lado, o lucro caiu 6,8% (ficando-se pelos 119 milhões de euros); por outro, as vendas continuam a subir, somando agora quase 9 mil milhões de euros.

​O que é que isto significa para quem investe ou simplesmente acompanha o mercado? Basicamente, o grupo está a vender mais, mas a ganhar menos com cada venda.

​O "X" da Questão: O que travou o lucro?

​Não foi falta de clientes. Na verdade, a descida no lucro líquido deveu-se sobretudo a fatores financeiros: juros mais altos e custos relacionados com as rendas das lojas e armazéns (a famosa norma IFRS 16). Além disso, o cenário de guerra no Médio Oriente fez disparar o preço dos combustíveis e dos fertilizantes, o que acaba por encarecer toda a logística alimentar.

​O balanço pelas marcas:

  • Pingo Doce: Continua sólido em Portugal, com as vendas a crescerem 7,5%. A Páscoa antecipada ajudou a encher os carrinhos em março.
  • Biedronka: Na Polónia, o crescimento foi mais tímido (3,6%), mas continua a ser a "galinha dos ovos de ouro" do grupo.
  • Ara: A operação na Colômbia está a "voar", com um salto impressionante de 21,2% nas vendas.

​A Opinião BILLION: Volume não é tudo

​No BILLION, acreditamos que estes resultados são um sinal claro dos tempos. A Jerónimo Martins está a ser "espremida" por dois lados: a inflação nos custos de operação e um consumidor que, com o orçamento apertado, só compra se houver promoção.

​A estratégia de focar no volume de vendas e na quota de mercado é inteligente para manter a liderança, mas as margens estão sob pressão. Para o investidor, o crescimento na Colômbia (Ara) é o ponto mais excitante, pois mostra que o grupo sabe replicar o sucesso fora da Europa. Contudo, a descida no lucro líquido é um lembrete de que, num mundo instável, faturar muito não garante, por si só, um resultado final brilhante.

Em resumo: O "gigante" continua a crescer, mas está a ter de correr muito mais depressa apenas para ficar no mesmo sítio em termos de rentabilidade.

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