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As Grandes Apostas dos Maiores Fundos de Wall Street no Arranque de 2026
A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) revelou os novos relatórios 13F. Estes documentos obrigatórios funcionam como uma fotografia do que os maiores fundos de investimento do mundo compraram e venderam até ao final do primeiro trimestre. O portal Dataroma compilou os dados, e o arranque de 2026 trouxe movimentações surpreendentes dos investidores mais seguidos do planeta.
Se quer saber onde os tubarões financeiros estão a colocar o dinheiro, eis os principais destaques.
A Nova Era da Berkshire Hathaway
Pela primeira vez sob a liderança executiva total de Greg Abel, após a saída de Warren Buffett da gestão diária, a Berkshire Hathaway surpreendeu o mercado. Abel triplicou a posição do conglomerado na Alphabet (dona do Google), com um aumento expressivo de cerca de 225%. O movimento transforma a gigante tecnológica numa das maiores apostas da empresa.
Outra grande novidade foi o regresso ao setor da aviação. A Berkshire abriu uma nova posição na Delta Air Lines, que agora representa 1% do seu portfólio. Isto marca uma forte mudança de estratégia, já que o fundo tinha vendido todas as ações de companhias aéreas durante a pandemia.
Em contrapartida, a Berkshire limpou a carteira de vários nomes sonantes. Vendeu a totalidade das suas ações na Amazon, UnitedHealth, Visa e Mastercard, além de ter cortado a sua participação na petrolífera Chevron em 35%.
O Choque de Titãs: Microsoft vs. Alphabet
Bill Ackman, o gestor da Pershing Square, seguiu o caminho inverso da Berkshire no setor tecnológico. Ackman vendeu a sua posição na Alphabet para financiar uma nova e massiva aposta na Microsoft, investindo cerca de 2,090 mil milhões de dólares. As compras começaram em fevereiro, aproveitando uma queda temporária das ações após os resultados trimestrais. A Microsoft passa assim a ser o quarto maior investimento do seu fundo, equivalendo a 15% da carteira.
No entanto, nem todos pensam igual. Chris Hohn, do TCI Fund, fez exatamente o oposto: reduziu mais de 80% da sua posição na Microsoft e reforçou a sua presença na Alphabet, além de aumentar posições na Visa, Moody’s e S&P Global, focando-se em empresas com receitas altamente previsíveis.
Software no Radar dos Investidores
A tese de que o setor de software foi penalizado em excesso devido ao medo generalizado em torno da Inteligência Artificial atraiu grandes investidores:
- Bill Nygren (Oakmark): Aumentou em 52% a sua posição na Salesforce (agora a maior fatia do seu fundo, com 3,7%) e abriu novas posições na Adobe e na Roper Technologies.
- Chuck Akre: Seguiu uma linha idêntica, comprando novas ações da ServiceNow e também da Salesforce.
- David Tepper (Appaloosa): Quase duplicou a sua presença na Amazon e aumentou a aposta na Uber em impressionantes 242%.
No cômputo geral, quando analisados os dados de 80 grandes carteiras americanas, a Microsoft destaca-se como a ação mais comprada do trimestre (18 fundos reforçaram ou abriram posição), seguida de perto pela Amazon e pela Meta Platforms, ambas com 15 compras.
O Veredito da Mia
As movimentações do primeiro trimestre de 2026 mostram que, mesmo entre os mentes mais brilhantes de Wall Street, não há consenso absoluto — e é precisamente aí que residem as melhores oportunidades.
A saída de Warren Buffett da gestão executiva da Berkshire Hathaway já se faz notar. Greg Abel mostra menos aversão à volatilidade tecnológica ao apostar fortemente na Alphabet, ao mesmo tempo que limpa o portfólio de gigantes financeiras tradicionais como a Visa e a Mastercard. Por outro lado, a rotação de milhares de milhões de dólares de Bill Ackman para a Microsoft prova que os líderes de mercado continuam a ser o porto seguro quando o preço está ajustado.
A grande lição deste relatório é o claro padrão de acumulação em empresas de software e infraestrutura digital. O mercado parece ter percebido que o receio de que a Inteligência Artificial iria destruir o negócio de software tradicional foi exagerado. Em vez disso, estas empresas estão a usar a IA para valorizar os seus produtos e prender ainda mais os clientes. Para o investidor de longo prazo, a mensagem é clara: o dinheiro inteligente continua a migrar para onde os dados e a eficiência tecnológica ditam as regras.
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